sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Amor ao próximo
Somos os que acreditamos ser
Somos verdade, mentira, sonhos, vaidade
Humildade, afago e braço forte
Não para alguém ver mas, para si mesmo
E a certeza que vem,
Quando se estende ao próximo a atenção
Pequenos olhares
Sorte de caminhos
Expectativa inocente
Pureza de alma
Fome de atenção
Sede de carinho
Construimos sonhos, esperanças
Cultivamos os futuros
Uma palavra e tudo acaba,
Um olhar e tudo ressurge
Nós despertamos do sono profundo da indivualidade
E caminhamos para um lugar
Onde o amor ao próximo
Se torna a sabedoria dos esquecidos
E mesmo que muitos não percebam, nosso mundo se transforma,
Constantemente
Realmente é muito bom dar atenção as pessoas. O mais impressionante nisto é alcançar o sentido real. É descobrir o retorno emocional e espiritual que isto traz. Sem necessidade de aparecer, para construir imagem, mas pensando no próximo, na expectativa dele. E criança é sincera mesmo. Ela sente quando você quer dar carinho, quando está sendo sincero nas atitudes. Ela te aceita quando você dá atenção, Ela se entrega quando encontra confiança. Eu tiro como exemplo o que vejo em meus filhos. Não creio que os adultos sejam diferentes delas, das crianças. Quem não precisa ou nunca precisou de um abraço sincero? De apenas alguns minutos de atenção? Quem nunca se renovou com um carinho? O coração batendo mais forte?
Visitei uma escola Municipal junto com um grupo de pessoas no dia da Criança e tive a oportunidade de ter contato com as crianças da Malvina, um bairro do Município de Macaé. Entre brincadeiras, teatro, bastante comida e refrigerante,'diga-se de passagem que comida de criança é muito bom', pude sentir o sofrimento de algumas, o brilho nos olhos de outras e curtir todo aquele momento de se dar ao próximo. Conversei com a Diretora e tive vários relatos de situações de ausência de carinho, de sofrimento causados por parte dos pais, mas também conheci o lado dos pequeninos. O da personalidade das crianças, do carinho, do apego e companheirismo. Criança tem essa coisa mesmo de querer ficar colado, junto todo o tempo, eu era assim.... E ainda sou!
Sai de lá com o som delas no meu coração, a vibração de 245 crianças sorrindo e agradecendo pelo período curto de tempo que pudemos passar com elas. Saí com a certeza de que as escolas que já visitei falando sobre as drogas, os projetos de reciclagem em comunidades carentes que tive a oportunidade de trabalhar com música como na comunidade de Cafubá em Niterói, me abriram os olhos para uma oportunidade de construir de verdade um mundo melhor. Eu me vi responsável por ele no que me cabe. Tenho ficado cada vez mais incomodado da maneira como nos olhamos, como nos tratamos e principalmente no trânsito como reagimos. Lembro-me de um ontem próximo onde as pessoas ainda respeitavam os mais velhos. Onde não dar lugar para pessoas com algum tipo de limitação era como um grave delito e todos à sua volta reprovavam. Hoje vejo um sistema de indiferença. Geralmente os humanos são indiferentes com os fatos que não interagem com eles e isto tem aumentado a cada instante. Se alguém cai na rua, quem está disposto a ajudar prontamente? Vivemos o inversamente proporcional, e já fomos avisados quanto a isto. Vivemos em um tempo onde o amor esfria e a violência aumenta. Onde a violência aumenta e a proximidade das pessoas diminui. Você conhece seu vizinho? Ele o convida para algum evento familiar? Alguma criança da sua vizinhança te ajuda a carregar as compras?
Deixa dizer mais uma coisa: Acho que as pessoas poderiam ao invés de só doar dinheiro para programas de ajuda infantil como os que as emissoras de TV nos apresentam, elas poderiam se doar e visitar lugares como creches e comunidades carentes próximos a sua residência, para descobrir uma participação mais real, mais próxima. Quando nos doamos, quando resgatamos o valor humano nas nossas vidas, nossa consciência enriquece, nossa vida engrandece porque ajudando os outros, ajudamos nossos filhos, ajudamos a nós mesmos.
Fazer a nossa parte, não é nos cumprirmos com as nossas ‘obrigações’, mas encarar que vivemos em uma sociedade crescente, onde a informação é algo muito discutido nas organizações como sendo a ferramenta do futuro, quando na verdade nós não sabemos mais como conviver e nos relacionarmos com os nossos semelhantes.
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