O conhecimento sem transformação não é sabedoria.
Creio que a palavra conhecimento, quando utilizada na relação entre o homem e Adonai, ela está ligada a temor- O temor a D’us – Yir’at Shamayim- Provérbios 9:10 diz: “O temor ao Senhor é o princípio da sabedoria.” O substantivo masculino – temor, vem do Latim = timore. Na língua portuguesa ele geralmente é utilizado quando se refere ao sentimento de medo – para os judeus é o menor nível de Yirah shamayim, mas o seu significado maior ele está diretamente ligado ao sentimento de reverência ou de respeito, principalmente quando se refere à D’us – o que para os judeus é o maior nível. O sentimento de Temor está ligado a respeito, a admiração e não ao medo. O respeito, a admiração e o zelo são o maior nível de Yirah Shamayim. O respeito vem por reconhecimento. O medo está ligado a castigo, repreensão, conseqüências. O medo geralmente vem por prevenção a algum tipo de perda, de algum bem material ou intelectual como exemplo. O Talmud (Shabat 31a) compara alguém que conhece a Torá, mas carece Shamayim yirat, como a um tesoureiro de um palácio real que detém as chaves da porta interior que dá acesso direto ao tesouro, mas não tem a chave do exterior, ou seja, ele é inútil. O Sl. 33:18, afirma: Os olhos de Adonai estão fitos nos que o temem. Poderíamos deixar uma pergunta muito importante para os nossos corações nos dias de hoje: qual é a sua expectativa no Eterno? O tehilim (salmo) 33:22 ainda continua: *¹ “Derrama a tua misericórdia, Senhor, sobre nós, como em ti esperamos”. Este tehilim está ligado diretamente a nossa consciência. O nível de realização na nossa vida dependerá da nossa dedicação a Ele, atuando através do que a torah já produziu em nós. Ele também está ligado a submissão, pois se confiamos em Adonai, então nos submetemos totalmente a Ele. Aquele que tem medo de alguém ou de algo, espera o mal do seu opositor. O que tem temor (respeito e zelo) espera o bem. O que os judeus esperariam do Eterno se O tivessem como um opositor – castigo. Uma grande verdade é que quando nossos desejos e anseios confrontam a verdade de D’us, para nós Ele se torna um opositor. Quando uma pessoa está obstinada a alcançar um objetivo e algo entra na sua frente para dificultá-la, ou impedi-la, ela avança com toda a sua força e atropela qualquer empecilho. Em toda a história, nos períodos de tratamento (correção), seja no deserto ou na diáspora, D’us nunca se mostrou como opositor de Israel e Israel sabia muito bem disto. Mas, a falta de conhecimento (palavra que está diretamente ligada a temor) do verdadeiro D’us de Israel, conduz as pessoas a um tipo de atitude inconsciente de oposição, rebeldia e rejeição aos mitzvot (mandamentos). Quando se vê pessoas levantando com toda força contra a lei de Moisés, saiba conscientemente que elas não conhecem as leis, nunca tiveram uma oportunidade de exposição ao seu verdadeiro propósito e seus benefícios. Elas foram nubladas no seu entendimento, pois o próprio Yeshua crescia em conhecimento. Yeshua obedeceu aos mandamentos de D’us e guardava o shabat estudando as porções da toráh e os livros dos Profetas (Parashá e Haftará). Em Lucas 4:16 e 17 – “Chegando a Nazaré onde fora criado, entrou na Sinagoga no dia de sábado, segundo seu costume, e levantou-se para ler (Tora e a Haftará). Foi lhe entregue o livro do profeta Isaías achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar as boas novas aos pobres...” (Isaías 61). As pessoas sentem um típico vazio e por isso procuram no zelo da religião as suas respostas. Mas, para o homem realmente ser completo, ele deverá seguir o que está escrito em Cohelet (Eclesiastes) 12:13 – Teme a D’us e guarda Seus mandamentos, pois este é o dever do homem completo. Geralmente as pessoas tem medo das correções de D’us. Isso porque elas não conhecem realmente a D’us. Salomão rasga esse medo das pessoas e escreve em Provérbios 12:1 –“O que ama a correção ama o conhecimento; mas o que aborrece a repreensão é insensato.” Conhecimento de quem? De D’us. A obediência nos torna participantes das coisas divinas. Nós vamos da obediência ao conhecimento. Alguns rabinos como Nachman, acreditam que o medo no homem é o que gera o respeito por D’us. Ele afirma que há dois tipos de medo: o medo do castigo, e o medo (temor) de Sua exaltação. O medo de punição é chamado de "Tsedek" (justiça), e temor de Sua exaltação é chamado de "emuna" (fé). Que com fé, contempla que Hashem é o Mestre e Senhor, a essência e a fonte de todos os mundos, que ele teme. Nachman afirma que só é possível alcançar a fé através do medo da punição. É porque o homem está com medo da punição, que ele acredita que Hashem é poderoso e em toda a habilidade e todo poder, assim ele consegue um maior nível (de) fé. Assim, logo que ele quer andar no caminho certo, ele deve ter o tipo (de) medo que é chamado de "Tzedek." E Tzedek está escrito (Tehilim 9), " E Ele julgará o mundo com Tzedek ". Mas, se avaliarmos algumas bases nos Nevi’im Rishonim (antigos profetas) Veremos uma direção de caminhar para uma restauração do coração do homem. Isaías 11 revela um equilíbrio entre o homem e a terra. Mas para existir este equilíbrio, a primeira chave é o coração do homem ser restaurado. Outro trecho dos nevi’im é o livro de Jeremias 31:18 e 19 quando diz: ‘Bem ouvi eu que Efraim se queixava, dizendo: Castigaste-me e fui castigado, como novilho ainda não domado; converte-me, e converter-me-ei, porque tu és ADONAI meu D’us. Na verdade que, depois que me converti, tive arrependimento; e depois que fui instruído, bati na minha coxa; fiquei confuso, e também me envergonhei; porque suportei o opróbrio da minha mocidade.’
Nesse jogo de palavras, Jeremias explora a verdade de que o conhecimento trouxe a ele o entendimento do seu erro e a vergonha pela necessidade de ser transformado não sobre as suas atitudes, mas do que ela era desde a mocidade. Como confirmação do texto de Isaías, vemos em Mateus 5 alguns trechos do perfil mencionado pelo mashiach, do homem que entrará no Reino e viverá na era messiânica. As pessoas erram por não conhecer as escrituras e por não conhecer verdadeiramente ao D’us na qual buscam servir. Vamos ser bem práticos nesta hora. Precisamos ver mudanças. Nós precisamos de mudança, de retorno e de restauração. Muitos seguidores de Yeshua focam numa prática exposta por Paulo na B’rit chadasha e que era um costume já praticado antes mesmo de Paulo, em que o discípulo seguia os passos de seu mestre. Quando Rav Shaul Hashaliach expõe esta prática em 1 Coríntios 11:1 – “Sede meus imitadores assim como eu sou do Mashiach”, ele dizia literalmente sobra a sua prática, sobre a essência que motivava suas atitudes. Existe uma tendência a se dizer no meio cristão: “O que Jesus faria no seu lugar?”
Não estou aqui para ‘marretar’ denominações, o que precisamos destruir são as falsas doutrinas. A partir desta frase: “O que Jesus faria no seu lugar”, vários movimentos denominacionais criaram pulseiras, e outros utensílios para se lembrarem desse ‘mandamento cristão’. Muitas pessoas desenvolveram na sua vida esta pergunta como um mandamento. Em tudo que parecia ser perigoso para sua crença, elas se perguntavam: O que Jesus faria no meu lugar? Isto ainda é tão longe do que Paulo propôs, porque não opera mudança em nada na nossa vida. Só disciplina o desejo dentro de cada homem. Vamos entender a verdade e já está mais do que na hora, de que o que Rav Shaul precisava abrir para os discípulos era que suas vidas dependiam totalmente de aprender os princípios de D’us. O que Paulo queria dizer era: “Você tem que aprender o princípio por trás do que eu faço. Não olhe a minha atitude em si, veja por revelação os princípios escritos no meu coração que me levam a praticar estas coisas. Vamos, me imite, eu te encorajo. Saia do seu usual e aprenda o segredo de viver no temor a D’us. Faça tudo isto com vida, senão você será reprovado. Jamais seria pedido para imitar no sentido de se fazer a mesma coisa que ele e o Mashiach. Você não alcança nada imitando como um paço de dança. A sua escola está no seu coração. Para isto, era preciso absorver o princípio por revelação daquilo que os motivava a operar aquelas coisas. Paulo abriu mão de tudo o que era antes de descobrir o caminhar com Adonai. Ele considerou esterco, ou seja, base para andar nas coisas maiores. Não adiantava só a teoria. O que ele tinha experimentado antes de dizer aos Coríntios, era os princípios do Reino na forma de mitzvot (mandamentos - instruções) e de como eles tinham se tornado algo vivo para ele. Ele se sentia completo, cumprindo cada uma das mitzvot. E cada mandamento era luz para o seu caminho, gerava vida nele, pois ele confiava que a lei de D’us era realmente a árvore da vida. O medo nas pessoas dá margem para ser gerado um falso respeito. Talvez alguém com muita sinceridade possa desabafar: “É, eu imito as atitudes de Yeshua, pois eu quero ser parecido com ele. As obras maiores não serão realizadas por imitadores, nem por homens que vivem a repetir somente as palavras. Elas serão realizadas por filhos do mandamento. Eu não quero ser um camaleão. É preciso tirar o foco das atitudes de Yeshua como sendo Deus e voltar para um relacionamento como o dele. Ainda há muitos olhares só para Yeshua. Quer viver a verdade? Então faça como Yeshua: Aprenda a se relacionar com o Pai. Aprenda a Temer a D’us através do conhecimento das escrituras e de um caminhar vivo com D’us. Yeshua vivia para agradar ao Pai, ele tinha uma consciência de filho. Se nós temos isto, é mais que lógico que este sentimento esteja ligado a um pai. Por que no meio cristão o sentimento de filho está mais ligado ao nosso relacionamento com Yeshua do que propriamente com D’us? Certo, Yeshua é o nosso mashiach. Nosso remissor, nosso intercessor, mas isto tudo é para vivermos na vontade de quem? De Adonai. Ele entregará o Reino ao Pai. Estamos sendo preparados para quem? Toda a vida de Yeshua estava voltada para a vontade de D’us. Um bom caminho para o retorno da igreja seria trocar a frase mencionada acima, por esta: “Sobre tudo, que se faça a sua vontade!” Você quer se parecer com ele. Então busque estudar a raiz que Yeshua estudou.
Se alimente do mesmo lugar onde ele se alimentou. Volte-se para o Yir’at Shamayim, na mesma essência em que os do caminho encontraram. O conhecimento sem transformação não tira o homem do seu lugar inicial, mas aquilo que ele absorve através do conhecimento, essa transformação sim, o moverá. A sabedoria de um homem não se mede. Ela não tem limite, pois a transformação que ela operou nele se multiplicará através daqueles na qual experimentarem da sua vida. O temor a D’us libertará os nossos corações para sempre. Os seus mandamentos serão a nossa força para caminharmos nesta restauração. As festas solenes mostrarão para nós os períodos de cumprimento a veremos a cada cumprimento delas o Olam Habá mais próximo. Através da Sua Santa Lei, seremos conduzidos naturalmente ao conhecimento maior de quem nós somos e do lugar que Adonai tem para nós.
Que O Eterno, Bendito Seja Ele, te abençoe ricamente!
Rosh Bruno Rocha